entrevistando amélia janta
também conhecida como maria do masterchef
Recém-eliminada do MasterChef Brasil, a queridíssima ameliajanta abriu espaço em sua concorrida agenda pós-reality pra conceder uma rápida entrevista ao Respondendo— publicação que, apesar do nome, nunca perguntou nada a ninguém.
Por ela, vale a pena abrir uma exceção.
Conhecida na internet pelo quadro JANTETA RUSSA, que consiste em escolher às cegas uma das terríveis sugestões de janta enviadas pelo público (como strogonoff de quiabo), cozinhar a tal sugestão e aí comer pra ver se ficou bom, Amélia me parece um espírito amigo. Aqui também, no Respondendo, os leitores prezam pelo mal-estar constante da autora, e sugerem coisas como “assistir o reality da Viiihtube no instagram,” ou “ler a biografia da Vanessa Lopes.” Nossas dores se conversam. Por que não haveríamos, nós duas, de conversar também?
Pois conversamos.
LAURINHA LERO: Amélia, brigada pela sua presença. Te chamo de Amélia ou de Maria?
AMÉLIA JANTA/ MARIA DO CARMO: Você que sabe.
LL: Amélia, então. Amélia, se tiver algum assunto que a Band não quer que você discuta, ou se você deixar escapar alguma coisa que não pode falar, me avisa que eu corto na hora. Aqui o jornalismo é chapa branca. Mas se você não gostar de branco pode ser outra cor também.
AJ: [Removido a pedido da entrevistada]
LL: Perfeito. Amélia, como foi esse processo de entrar no MasterChef? Te convidaram?
AJ: Me convidaram a me inscrever. Achei uma boa ideia. É verdade, eu cozinho. Podia fazer isso na TV. E muita gente comentava nos meus posts também, entra no MasterChef, entra no MasterChef. Talvez porque eu pareço um pouco com a Helena Rizzo.
LL: Parece mesmo. Me chamou atenção, inclusive, no primeiro episódio, quando você comentou com ela que vocês duas parecem “mãe e filha”. Vários outros participantes aproveitaram pra dar em cima dos jurados, e você ali, indo no caminho contrário.
AJ: Minha mãe ficou puta que eu falei isso de “mãe e filha”. Vou falar o quê? Dar em cima eu não ia. Eu não vim com essas intenções. Sou uma mulher casada, fiel.
LL: Teve gente que veio. Gostei que a Carla deu em cima do Jacquin. Ninguém nunca dá em cima do Jacquin.
AJ: A Carla não faz distinção. Ela quebrou alguns paradigmas ali.
LL: Outra coisa que você e a Helena têm em comum são os acessórios. Sempre muito acessorizadas.
AJ: Tem que usar acessório porque o avental cobre a roupa, só dá pra mostrar personalidade com acessório. Acessório de rosto e acessório capilar. O Jacquin até me perguntou se eu colecionava broche, porque um dia eu cheguei usando um quepe militar cheio de broche. Falei que todos que eu tinha tavam no quepe. Ele riu. Depois, quando eu fui eliminada, ele me presenteou com o broche que ele tava usando na lapela.
LL: Bom que dá pra você vender e recuperar um pouco o prêmio perdido. Falando em eliminação, a sua eliminação foi bem digna né. Te eliminaram elogiando seu prato.
AJ: Poisé. Menos triste desse jeito. Não fui escorraçada do programa. Tem vezes que é muito humilhante. No meu caso o ingrediente principal era a cenoura e faltou mostrar mais a cenoura, mas não ficou ruim. Ficou sem cenoura.
LL: A JANTETA RUSSA, sua especialidade, te ajudou no programa? Ou não fez a menor diferença? Foi você que inventou a JANTETA?
AJ: Não patenteei. Tá em aberto ainda. Olha, talvez tenha me ajudado mentalmente. Saber que eu já passei por pior e sobrevivi. Que uma proposta absurda rende um prato até que comestível.
LL: Algum prato que deu errado no programa ainda te incomoda?
AJ: Se algum me incomoda, não foi o prato que me eliminou. Eu entreguei justamente o que eu prometi entregar. Talvez a prova do pato. Jacquin falou que o empratamento tava ruim, a louça tava funda.
LL: Ele falou que o seu prato tava “pior do que ruim.” Como é ser xingada pelo Jacquin na TV?
AJ: Depois que a câmera cortou eu chorei muito! Fui pro camarim chorar. Eu tinha passado muitos episódios sem críticas negativas. Demorou pra vir a lapada, e quando veio eu não tava conseguindo parar de chorar. Fiquei lá encarando o abismo dos meus defeitos.
LL: Sempre bom ter um momento existencialista num camarim da Band. Pra você, que é criadora de conteúdo, como foi essa experiência de ser filmada e não ter controle sobre como você aparece? Os ângulos, a edição, o que entra, o que não entra… fugir pro camarim pra chorar… como foi essa adaptação?
AJ: Meio que se foda. Não importa o que aconteça, isso nunca estaria nas minhas mãos. Se eu me importar, eu vou surtar.
LL: Belas palavras.
AJ: O negócio é que na frente das câmeras eu fiquei tímida. Na vida real eu sou mais animada, serelepe. Fiquei com medo de passar vergonha na TV.
LL: Que é o contrário do que você disse.
AJ: Poisé. Também não combinei muito com o programa, não gosto de render pra treta. O povo realmente brigava. Meu grande lema ali era “deixa eles se matarem.”
LL: Isso aí, na minha opinião, foi um erro seu. E daí que você não gosta de treta? Aquilo ali não tem nada a ver com o que você faria na vida real. Um reality é a grande chance que uma pessoa tem de mostrar quem ela não é.
AJ: Ah, é aquela coisa.
LL: Qual coisa?
AJ: Não sei. Difícil achar o equilíbrio. Às vezes essa tranquilidade me prejudica. Quando eu levei esse apavoro do prato, com o Jacquin, o que me fez chorar foi saber que o fato de eu ligar pra comida não tava chegando nas pessoas. Eu tava zen demais. No fundo eu ligava tanto que não conseguia demonstrar que eu ligava.
LL: Uma pessoa que aproveitou pra mostrar tudo de si foi o Everaldo. Aliás, o Everaldo se emocionou muito na sua saída. Não tinha percebido que vocês ficaram tão amigos.
AJ: Não entendi como rolou também mas a gente tava sempre lá. Você se conecta meio que instantaneamente com o resto do elenco, todo mundo vivendo essa mesma situação atípica. Todo mundo gostava de se encontrar, fora das câmeras, sair pra conversar. Everaldo tem muita energia. Não me largava, ficava me sacudindo pelos ombros. Ele é meu irmão encapetado, minha cruz pra carregar.
LL: Uma última pergunta. A echarpe azul-clara que você usa no episódio sete tem ALGUMA inspiração no curativo da Isabelle Adjani em POSSESSION? Ou é apenas uma excelente coincidência?
AJ: Uma excelente coincidência. Mas pode dizer que tem inspiração pra eu parecer mais inteligente.
LL: Combinado.











eu achei que vocês eram a mesma pessoa
Só discordo de que o seu público quer o seu mal por pedir pra vc ver o reality da Viiihtube. PERDÃO por querer minhas informações jornalísticas de uma fonte segura.